Sábado

Get Set

[não sei quem disparou]

Quinta-feira

Retirada Estratégica

Foi-se o imbecil do W., uma porrada de tubarões da economia e das finanças viu o negócio colapsar em cima das secretárias (as de madeira) e milhares de empresas, pelo mundo fora, aproveitam a maré para desistir, antes de fazerem merda ou de que a que já fizeram comece a feder. Vão deslocalizar e refiná-la. Parece uma espécie de limpeza geral, mas é só uma camada da cebola (na melhor das hipóteses) ou uma varredela para baixo do tapete. O pior de tudo é a velha inevitabilidade dos bebés - eu, tu ele, nós e vós - arrastados pela água do banho. Não é nada provável que mais do que uma pequena parte da filhadaputice seja condenada, mas muitos milhões, um pouco por toda a parte, já o estão. Ao desemprego, à degradação do nível de vida, à degradação dos meios envolventes, à criminalidade e a padrões genericamente inferiores, em todos os indicadores de bem-estar. 

Portugal adaptou-se logo à situação: o primeiro-ministro já é suspeito, em Londres, de crime(s) de corrupção. Depois de 35 anos a desperdiçar milhões de almas, a confirmar-se, seria a cereja em cima dos tolos.

O mundo devia fechar para obras. Portugal devia aproveitar para um reset

Terça-feira

O Coelho Correu

John Updike

18.3.1932 - 27.1.2009

Segunda-feira

""

Já não tinha férias, nem dinheiro, garantiu o papagaio e também não percebia...

«Mete baixa» - aconselhou o rabino. «Vai à boleia, que fica barato.»

Amargurado, foi. Voltou. O rabino disse-lhe: «A lua que mergulha no poço, que banha as macieiras, num jardim insondável do oriente...» Num murmúrio, o papagaio assegurou que decerto o mundo era sacrifício e dor.

«As maçãs eram gostosas?» - perguntou o rabino.

«Nem por isso.»

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José Alberto Oliveira (Bestiário)

Domingo

vickycristinabarcelona

Outro grande filme para o impressionante legado de Woody Allen à civilização.
Este é arrebatador, em cada segundo, em todos os sentidos. 

Quinta-feira

Meditação na Papelaria *

Altamente concentrado num par de horas com vadiagem pela frente, meti-me numa papelaria do Bom Sucesso que é um atentado aos esquemas mentais de racionalidade e auto-contenção mais desenvolvidos. Pode perfeitamente gastar-se uma pipa de massa e, mesmo assim, a absolvição vem ao encontro do pecador, de forma quase instantânea e com uma adequação intelectual arrepiante. Não preciso destes cadernos, não preciso destas canetas, o Moleskine ainda vai a meio. Mas vou acabar por precisar, tão certo como morrermos todos, daqui a não sei quantas agendas. E depois se calhar já não apanho cá destes. É melhor levar. Antes isso do que a frustração futura ou, pior, o simples esquecimento daquelas canetas vestidas de lápis. Uma desgraça. Vendo cenas de papelaria.

* Close, but no cigar... :-)

Quarta-feira

"Guantanamo por Rogeiro"

Um susto. Quando vi este rodapé na SIC-N, pensei logo que o Barak tinha adoptado métodos guerrilheiros de negociação ao primeiro dia, entreguem-nos isto que nós permitiremos aquilo. Tu queres ver que a Palin tinha razão? 

Afinal era um anúncio ao comentário especializado.

Terça-feira

'A ditadura da auto-estima'

No Circo da Lama.

Segunda-feira

procura-se: tempo

ameno, infernal, regular de batidas fortes, motores a 4 tempos, o momento do verbo, bons tempos.

Sábado

Crónica

O congresso do CDS é quase tão deprimente quanto o Paulo Portas.

Sexta-feira

Chesley B. Sullenberger III (respect)

Radar showed the nearly 10-year-old jet making a series of tight left turns to head down the river, flying low over the George Washington Bridge before Sullenberger, from Danville, California, set the plane down in the river, kicking up a tremendous splash.

Pics. Reuteurs

Quinta-feira

Já sabemos, temos lido as notícias...

Vendas mundiais da Jaguar aumentaram 8% no ano passado

Quarta-feira

love @ first site

Terça-feira

O vento cá dentro

É preciso muito cuidado com as alminhas. Não é possível defender a alma com a antecipação, atacando à defesa. A única hipótese é amanhá-la desde sempre, revolvendo-a e fertilizando-a esperando que chova alguma coisa, todos os dias, depois de vez em quando. Especial devoção às raízes e aos galhos-pseudópodes para fora da alma.

Segunda-feira

look up

[ddoi]

Domingo

Cadernos do Subterrâneo

Podem achar que é flor de estufice, mas as nuvens  e o frio e o resto que está a estorvar o sol, já podiam ir andando. É preciso recarregar de fotões, um gajo não sobrevive só a fruta biológica. O Rooks está a ajudar, mas não faz milagres.

Quinta-feira

A paixão pela verdade

Movido pela estranheza que a campanha Atheist Bus, em alguns autocarros ingleses, me provocou, cheguei ao site da British Humanist Association, a promotora. Para ser recebido com a mensagem do vice-presidente: "I Care passionately about the truth because it's a beautiful thing and enables us to live a better life." Momento vamos inventar uma religião da semana.

Quarta-feira

Multidões de um (a dividir por um)

O modelo telenovelista impõe-se em todos os quadrantes, todos os dias, e cada vez se exigem estratégias menos rebuscadas para aderir aos enlatados. Anos e anos de Rede Globo e TVI em cima de mais anos e anos de ensino alérgico ao pensamento crítico servem agora para poupar em elaborados planos de condicionamento. Bastam algumas palavras-chave para que, de certezinha, o efeito não se afaste muito do pretendido. Adenda: a coisa está tão instalada que os próprios agentes do condicionamento são disso inocentes, porque também eles têm as mesmas referências. Quase não há maquiavelismo. O sistema alimenta-se a si próprio e tudo decorre com normalidade no melhor dos mundos possíveis. Não se trata de novilíngua, nunca tivemos outra. 

Esmeralda / Ana Filipa tem "pais afectivos" e um "pai biológico". Sabe-se, pelas novelas, que as pessoas são uni ou, quanto muito, bidimensionais. Nunca têm 3 dimensões, que isso é realidade a mais e dificulta a clivagem. Logo, o humilde e abnegado casal de acolhimento é a pura representação antropomorfizada do afecto. O "pai biológico" é o símbolo do esperma irresponsável que se rege pelo princípio do prazer e agora vem roubar a menina ao colo dos seus verdadeiros donos: o povo. Ponto. Não queremos saber mais nada. Está ali o branco. Acolá o preto. 

Em cima dos qualificativos "biológico" e "afectivo" florescem enredo, emoções, atenção, teledrama. E o povo exige, literalmente, que a justiça seja cega. Aos cinzentos.

Terça-feira

O Macroscópio

Depois das Memórias Póstumas de Brás Cubas, d'O Galo de Ouro e da Rayuella fiquei numa fadiga que nem me conto. Vou contar. Vai-me faltando a imprescindível disponibilidade para o aborrecimento que uma série destas reclama (o tal ennui é maravilhoso, nos tempos certos). Tinha guardado quase metade das Origens do Totalitarismo, no caso de ter que dar de beber ao cínico. Há fases assim. Doses de realidade macroscópica precisam-se. Os mundos de dentro são poços sem fundo e um gajo às vezes tem direito às vertigens. Numa janela da ISS é que se deve estar bem.

Segunda-feira

Caras Millennium

Quer-me parecer que a Bárbara Guimarães já tem 40 anos praí há 20. Trata-se de uma estratégia revolucionária para contornar o impacto do amadurecimento: poder de antecipação. Mas, e agora? Sugere-se, talvez, MILF aos vinte e tal, lolita aos 50. Aguardemos com afã.

(posta destinada a dar um boost às estatísticas do blogue, com a infalível conjunção BG+MILF+lolita+afã+Millennium)

[IMG] Milo Manara

Sexta-feira

Espaço-tempo

Neste ano, o que realmente me interessa é conseguir algum tempo para nada de jeito. Resgatar tempo de jogo. Poder olhar e ver, olhar sem ver, incluindo comboios a dois metros de distância; planear impossíveis e meter-me a fundo em coisas nunca planeadas, nem por sombras. Rondar o improvável. Tempo de tédio, tempo vazio. Espaço cá dentro.

Quinta-feira

2009

marriedtothesea