Domingo

Bem se precisa...

Movimento pelo Cineclube do Porto
[petição online]

Sexta-feira

O Conservador

Recomenda-se muito o Manual De Civilidade Para Meninas de Pierre Louÿs, ilustrado por Pedro Proença na edição Fenda. Há certos e [sobre]determinados costumes que ameaçam esvair-se em poeira  na fricção tectónica dos tempos modernos. E que urge preservar.

Quinta-feira

Olhá novidade fresquinha



Quarta-feira

O Albatroz

Por mera brincadeira, os homens de equipagem
Caçam enormes aves do mar, albatrozes
Que, indolentes, costumam seguir a viagem
Do navio percorrendo abismos tenebrosos.

Assim que sobre aquelas tábuas são largados
Os reis do céu azul, envergonhados, trôpegos,
Deixam cair, humildes, as imensas asas,
Que arrastam pelo chão, como remos já soltos.

Como está mole e frouxo o alado peregrino!
Ele, que tão belo foi, ei-lo cómico e feio!
Um espicaça-lhe o bico, usando o seu cachimbo,
E um outro, coxeando, imita o pobre efermo!

O poeta é igual ao príncipe das nuvens
Que se ri do arqueiro e afronta a tempestade;
Exilado na terra e no meio dos apupos,
As asas de gigante impedem-no de andar.

[C. Baudelaire, As Flores do Mal]

Terça-feira

in treatment

- Right. I'm a customer...
- Yeah. Although in my profession we say that the customer is always... wrong. It's a therapist joke.

[in treatment, HBO]



[Joe Raedle]

Segunda-feira

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Deus pode ser "vingativo, arbitrário, egoísta", os Livros podem conter "destruição, tirania, carnificina". Nestas discussões entre os blocos ateu e crente, os primeiros geralmente argumentam aceitando o pressuposto básico dos segundos, o mesmo em que baseiam a não crença.

A maioria dos ateus satura a própria argumentação tentando apontar falácias às qualidades da entidade que afirma não existir. Como se fizesse sentido alguém dizer: acreditas na existência de minotauros e dizes que eles são simpáticos. Eu não acredito em minotauros. Para debater a questão, vou demonstrar-te por que razões lógicas a simpatia dos minotauros é uma impossibilidade. E é mesmo aqui, logo à partida, que o ateu fica numa ilha; porque se coloca, de mão beijada, no infinito espaço do mistério divino. Uma ilha infinita, mas uma ilha. Como é que o Homem pode presumir saber se cada um daqueles episódios mais escabrosos da bíblia não terão salvo a humanidade? Os caminhos divinos são, por defeito, insondáveis. Por aí: 10, 20, milhões a zero para Deus. O crente não se importa nada de estar enganado quanto às qualidades (características) divinas. Errar é humano. O crente só sabe que Ele existe, o resto são interpretações. Como, quando, por que faz o que faz, ultrapassam-no de cebolada - mais uma prova (a prova) da Sua grandeza.

O grande problema é que, sem essa esgrima lateral, não há debate possível. É aí que termina a conversa, por causa de um corte intransponível. Uma saída para o auto-questionamento - Deus não existe - colide com outra saída para o auto-questionamento - Deus existe. A primeira resulta do desenvolvimento de um potencial para o raciocínio, a segunda resulta de camadas que devem remontar aos primórdios daquilo  que veio a ser o Sapiens. Ambas in-prováveis. Por aqui se percebe como a analogia psicanálise / arqueologia falha: as camadas primordiais, no Homem, estão activas e constituem-no na actualidade.

Deus é muito sedutor (lá estou eu...). É extraordinariamente fácil embarcar-se em cenários 'e se', por não poder evitar-se o desamparo, constitucional cá da espécie. Tudo é relativo a Ele e ao seu negativo. Só um humano que nunca tivesse sido criança (literalmente) poderia ficar-lhe indiferente. Deus é o personagem perfeito, por nascer e morrer com o Homem, com cada homem. Não precisa de ser lembrado, apenas organizado e distribuído. Cada homem carrega, como explicaram Steiner ou Freud, a nostalgia do absoluto, da morte vivendo. A total ausência da falha e do desejo. Deus numa casca de nós.

Domingo

Full circle



Tinha visto o filme no início ou em meados de 80. Fiquei sem qualquer referência além das imagens brancas e de uma ideia de resistência ao torpor compulsivo. Hoje o reconhecimento foi imediato, full circle.